sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A dor que não pode ser doída

Uma das piores dores são aquelas que não podem ser doídas
São gritos abafados
Olhares no escuro
Fugas para sem ter aonde chegar

A dor que é  negada para aqueles que não podem senti-la
O problema é que sentem, mas não podem externa-la
Marejam em desespero, mas não podem chorar

A dor que deve ser camuflada por uma força que a pressiona
Só que essa pressão, além de escondê-la, também a torna mais intensa
E essa intensidade exige uma pressão cada vez maior
Assim se caí em um ciclo vicioso

Quem sabe quando essa hipocrisia acabar?
Quem sabe quando poderemos exprimir nossa real essência?
Quando as cortinas irão se fechar para tocarmos fogo no palco?

A dor deve ser sentida, exprimida e declarada
Cuspida, escarrada e explícita
É feia e suja
Mas nela existe a força da contradição
O motor que nos mostra que algo não está certo

Para superar a dor...
...temos que senti-la.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Pós-Modernos

Pós- Modernos são aflitos
Pós-Modernos são perigo
Pós-Modernos são castigo
Pós-Modernos são cooptados
Pós-Modernos tem vivência
Pós-Modernos tem carências

Pós-Modernos não gostam de ser contrariados.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Amores Líquidos

O que é líquido? Segundo o dicionário, é o estado da matéria que se localiza entre o sólido e o gasoso. A distância entre as moléculas é suficiente para se adequar a qualquer meio, tomando sua forma, mas sem alterar consideravelmente seu volume.

Essa é uma das características principais do estado líquido: A mudança de forma ou a adaptação. A matéria em estado líquido sempre toma a forma daquele recepiente ou espaço onde está contido. Seja um copo, uma bacia, ou simplesmente o fluxo de um rio que desce até a imensidão do oceano. E justamente por ser dinâmico, esse estado da matéria é que complementa a maior variedade de transformações de formatos. Ao contrário do sólido que tem uma forma geométrica (ou não geométrica), bem definida e que devido as intemperes da natureza, a muda de forma bem devagar. E ainda o estado gasoso das moléculas, onde a dispersão das moléculas está em tal ponto que é impossível definir uma forma.

Este artigo não é sobre química geral. Eu nem tenho domínio suficiente para discernir sobre esse assunto. No entanto, a metáfora com líquidos dá bastante pano para manga. É nessa esteira inclusive que Zygmunt Bauman desenvolve a sua teoria sobre a chamada "modernidade líquida". Em poucas palavras, vivemos uma época onde as estruturas sociais estão em constante mudança. E assim como os líquidos, elas tomam novas formas e significados.

Apesar de incompleta, esse aspecto da transmutação da realidade social, se reflete em várias insituições: Desde da economia ao trabalho, do público ao privado, do profissional ao afetuoso. Não é exagero dizer que a ideia de "dinamismo" e "multiplicidade" está presente em várias áreas da nossa vida.

Na esfera do amor  não é diferente. Vivemos tempos de incompreensão e mutabilidade. A distorção do conceito de amor não é nova, o marxista e psicanalista Eric Fromm em seu "A arte do amor", mostra como o romantismo, enquanto corrente literária assim como as noções burguesas distorcem as noções de amor e as formas de amar. Voltando mais atrás ainda, podemos relembrar o estudo histórico de Engels em seu "A Origem da Família, o Estado e a Propriedade", em que ele resgata a formação da ideia de família e monogamia cunhada em Roma como uma forma de garantir o acúmulo financeiro de famílias ricas. Em suma, a esfera da economia avança sobre a esfera das relações de afeto humanas. Assim como a teoria feminista deu importantes contribuições para descontruir ideias hegemônicas de amor.

Hoje temos várias críticas a esses modelos e novas alternativas para pensar outros tipos de família e de relações amorosas. Temos famílias com núcleos variados, seja, de duas mulheres, ou dois homens, com ou sem filhos, temos famílias que adotam filhos e até mesmo pessoas que vivem a 3 ou 4, se amando mutualmente (o famoso "poliamor").

No entanto, ainda vivemos no capitalismo e sob a egíde de suas leis. E enquanto continuarmos assim, esses novos tipos de relacionamento e de família serão novas prisões, e não a libertação para que os seres humanos possam experimentar sua total potencialidade.

Hoje em boa parte dos países do ocidente nos é vendida a falsa ideia de liberdade e mobilidade (mas sempre do ponto de vista individual). Sim, eu disse vendida porque é assim que esses ideiais são. Bauman em uma de suas obras cunhou o conceito de "indenti-kit". Isso significa que identidades são kits que podem ser comprados e consumidos. Hoje de fato você pode comprar uma identidade. Não se sente bonito ou bonita? Pague uma academia, tome whey protein, faça lipo aspiração, bote silicone. Existem padrões a serem alcançados, e "todos" podem faze-lo desde que paguem por isso.

Pode-se dizer que essa busca pelo padrão é um processo de "objetificação", ou "reificação" como diria Lucaks, onde "pessoas estão virando coisas". E atualmente as pessoas apenas se transformam em coisas, mas tratam as outras como coisas também. O que fazem o facebook, o instagram e outras redes sociais? Transformam as pessoas em fotos, likes e contatos.

O que é o tinder se não um "delivery de fodas"? Onde você olha o cardápio e seleciona quem te interessa. Ai vocês vão pro whats se encontram e veem o que rolam. Se rolar, vocês conversam enquanto estiver "quente". Ao primeiro problema deixe as coisas esfriar e transforme aquele nome e contato em apenas mais um na sua lista. Aliás, você que está lendo, já fez este exercício? Já olhou seu whatsapp e viu com quantos contatos você realmente conversa? Quantas pessoas já passaram por você nesses aplicativos? Quantas vezes você enjoou ou correu no primeiro problema que aconteceu (e vice-versa)?

Isso acontece porque somos inseguros, frágeis, medrosos. Temos medo do novo, temos medo de nos envolver e de sofrer, nos objetificamos e objetificamos as outras pessoas. Não queremos coisas duradoras e constantes. É nisso que o capitalismo contemporâneo nos transformou: Em corredores! Corremos atrás de metas, fugimos dos problemas, não permanecermos parados nunca. Novo emprego, novos cursos, novas viagens, novas pessoas. O dito dinamismo libertador, se tornou uma prisão. Na verdade, somos cachorros correndo atrás do próprio rabo, em uma corrida que nunca acaba. Somos como os líquidos se adaptando a novas formas, mas sempre esquecendo que essas formas são pré-determinadas. Então só aumentamos a variedade e os tipos de nossas prisões. Prisões essas que são coloridas e perfumadas, feitas justamente para não parecer uma prissão.

Corra, corra! Como o fluxo da água! O novo recipiente já está te esperando.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Qual "tipo" de mulher você gosta?

Há um tempo atrás estava tendo um flashback sobre algumas coisas que aconteceram na minha adolescência. E uma das coisas que me lembrei eram os critérios altamente seletivos que eu meus amigos tínhamos na adolescência para se aproximar do sexo oposto.

Se me lembro bem dos 13 aos 16, mais ou menos, eram postos os seguintes critérios para se aproximar de uma mulher: 1) Beleza (Isso significa ser magra ou ser "gostosa", em suma: Ter o padrão estético vigente na sociedade); 2) Ser "gente boa" (Essa categoria de classificação pode ser entendida como ser simpática e ter bom humor); 3) Ser no máximo um ano mais nova do que o pretendente.

Não preciso nem dizer que com esse critério tão "seletivo" não eram muitas as mulheres que eu e meus amigos ficávamos.

Penso que nessa idade os adolescentes homens não tem discernimento "qualitativo" para definir o tipo de mulher pelo qual se sentem atraídos (é claro que tem alguns que mantém esses critérios até a morte). Talvez sejam os hormônios que a flor da pele, possivelmente misturado com alguma imaturidade juvenil. Mas o fato é que muitas vezes os homens heterossexuais nessa idade deixarem de lado as mulheres que não atendem aos critérios citados acima.

Deixo bem claro que a intenção desse texto não é fazer a cisão machista tosca entre mulheres bonitas/feias, interessantes/desinteressantes, inteligentes/ignorantes e etc. Pretendo sim dizer que muitas vezes os jovens "sofrem" - amorosamente falando -  por impor dicotomias desse tipo.

Digo no meu caso que fazer uma faculdade na área de humanas, se mudar para outra cidade e praticamente "morar sozinho" ajudou muito no meu crescimento emocional.

Uns dos principais exercícios que aprendi no meu curso foi o de relativizar, ou seja, desconstruir pré-noções que eu possuía anteriormente.

Com o tempo aprendi que beleza não é tudo, que simpatia pode ser uma qualidade bem superficial da mesma forma como fiquei mais flexível em relação a idade das pessoas de quem me aproximo. É claro que tudo isso é um processo longo, datado por várias experiências - boas e ruins - que contribuíram para o meu amadurecimento.

Ao longo desse processo descobre-se que existem diferentes tipos de beleza que vão bem além de ser "gostosa ou magra", que mesmo uma mulher não sendo tão atraente fisicamente existem outras características que podem torna-la. E acho que o mais importante é: Pessoas diferentes, te proporcionam experiências diferentes, é algo mais rebuscado para dizer que "ninguém é igual", cada pessoa que você conhece lhe concede algo único (isso vale para as amizades também).

Existe um truísmo que aprendi com a sociologia que pode ser aplicado na vida cotidiana: As coisas se desdobram/acontecem/se modificam na prática de sua execução. Em outras palavras, um modelo de "tentativa e erro". Acho que não devo recriminar os mais jovens (ou a mim mesmo antigamente), mas sim esperar que eles aprendam com suas experiências. Da mesma forma que aprendi e venho apreendendo.



quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A Lei

"A lei do forte
Essa é a nossa lei e a alegria do mundo
Faz o que tu queres há de ser tudo da lei
Fazes isso e nenhum outro dirá não
Pois não existe Deus se nao o homem
Todo o homem tem o direito de viver a não ser pela sua própria lei
Da maneira que ele quer viver
De trabalhar como quiser e quando quiser
De brincar como quiser
Todo homem tem direito de descansar como quiser
De morrer como quiser
O homem tem direito de amar como ele quiser
De beber o que ele quiser
De viver aonde quiser
De mover-se pela face do planeta livremente sem passaportes
Porque o planeta é dele, o planeta é nosso.
O homem tem direito de pensar o que ele quiser, de escrever o que ele quiser.
De desenhar, de pintar, de cantar, de compor o que ele quiser
Todo homem tem o direito de vestir-se da maneira que ele quiser
O homem tem o direito de amar como ele quiser, tomai vossa sede de amor, como quiseres e com quem quiseres
Há de ser tudo da lei
E o homem tem direito de matar todos aqueles que contrariarem a esses direitos
O amor é a lei, mas amor sob vontade
Os escravos servirão
Viva a sociedade alternativa"
Raul Seixas

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Cuidado, Meu Amor

Cuidado, meu amor,
O chão aos seus pés não é tão forte quanto parece
Trinca-lhe a qualquer momento enquanto padece
E a certeza toda se esvai.

Cuidado, meu amor,
Na estrutura rígida da conveniência
Reside o terror da penitência
E a contínua aflição.

Cuidado, meu amor,
Só lhe digo cuidado
De um homem apaixonado
Leve como o vento,
Que por um breve desalento
Agarra-se ao nada,
E, desagarrando-se de tudo
Voa
Buscando o novo.

E, ao novo, aquela silhueta se reduz
Até um ponto de luz
Que ao longe distancia
Sem nunca mais se apagar.

Te digo cuidado, meu amor,
Mas o novo não é assim tão longe
A grande distância está na ganância de querer o que já passou.
Meu amor, se desamarre
E venha comigo

Se não vieres agora, porém, guardarei-lhe um lugar ao sol
Mas não demore meu bem, não demore,
Pois "o novo sempre vem".

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Um pequeno desabafo

Esse texto é pra você!

É pra você que até um mês atrás, estava jogando candy crush no facebook. É pra você que sempre CAGOU pra política e agora dá uma de politizado. É pra você que diz "sem partido" (e eu digo mais "sem partido, sem movimento e sem organização). É pra você que se acha politizado e bem informado lendo VEJA e Folha de São Paulo.

Você não é POLITIZADO! E está longe de ser! Que bom que saiu a rua, que bom que "acordou", mas você ainda tem muito que aprender.

E se você me conhece, além de de despolitizado é BURRO também. Porque há anos falo sobre política e só agora que você passou a dar bola. Ainda assim de um jeito bem coxinha e classe média.

Enfim
É isso.